terça-feira, 7 de setembro de 2010

A moça das duas tiaras

Era um ambiente surreal. As escadas não subiam nem desciam.

Nas paredes, espelhos que não refletiam. Mas eram espelhos.

Uma luz infiltrava por um mínimo orifício no teto e se refratava em diversos matizes de cores não nomeadas pela arte moderna.

Ao fundo, no canto de três lados, um banco de apenas um pé.

Sentada, ela escondia o rosto com as mãos e os cotovelos apoiados sobre os joelhos.

Vestia um vestido rosa que apenas escondia sua derrière.

A meia calça rosa era o acabamento delicado que protegia pernas torneadas esculpidas por anjos transviados, que se renderam ao fascínio venenoso da alma feminina.

Não sei por que ela estava lá.

Tampouco imagino como entrei ali.

Mas esse não era um questionamento pertinente naquele instante.

Estava preocupado em conhecer aquele rosto escondido, saber dos anseios daquela criatura tão misteriosa e tão bela.

Ela permaneceu com a face oculta.

Ansioso, corri o olhar até seus pés descalços eram exatamente como eu os desejava: pequenos, delicados.

Mas toda aquela aura doce contrastava com detalhes perturbadores, que denotavam toda inquietude de uma personalidade peculiar.

No braço esquerdo, uma tatuagem.

Na cabeça, duas tiaras.

Ela balbuciou palavras em outra língua que não compreendi.

Mais do que isso não vi.

Acordei.

Mas quero voltar a dormir, para ver o rosto dela e descobrir os outros mistérios que me seduziram. Irremediavelmente.

segunda-feira, 30 de agosto de 2010

Sensacionalismo: a culpa é de quem mesmo?

Artigo escrito para aula de Produção I, sob docência do professor Deivison Campos.

Há no texto “Newsmaking: critérios de importância e noticiabilidade” um aspecto paradoxal que merece reflexão para o aperfeiçoamento do fazer jornalístico. Entre os principais critérios avaliados e presentes em qualquer decisão que defina o âmbito de uma cobertura noticiosa de determinado veículo está o seu processo produtivo. A transformação do acontecimento em notícia precisa ser uma produção contínua, necessária para suprir e abastecer o produto (jornal ou programa de rádio e TV). Essa continuidade precisa ser articulada sob a premissa da rotinização e estandarização das práticas produtivas:

“Sem certa rotina que podem servir-se para fazer frente aos fatos imprevistos, as organizações jornalísticas, como empresas racionais, falhariam” (Tuchaman, 1973, 160).

Se “a notícia é produto de um processo organizado que implica uma perspectiva prática dos acontecimentos (...) e fazê-lo de modo a entreter os espectadores” (Altheide, 1976, 112), constatamos que o pragmatismo reza pela factibilidade.

Muniz-Sodré ainda alerta que no tratamento da informação em televisão há uma clara desconsideração do contexto histórico, retirando o fato de seu meio, recortando um enfoque da realidade, também sob a égide do processo produtivo.

Por outro lado, reza a atual cartilha jornalística que os veículos de comunicação são empresas e necessitam ser viáveis financeiramente para manter sua independência editorial. Ser rentável significa ter bons índices de audiência. E conquistar audiência é um jogo pesado.

Temos percebido uma escalada sensacionalista nos meios de comunicação, em especial na televisão. Programas policiais se escondem sob a premissa do jornalismo para explorar a tragédia, sem qualquer preocupação na problematização do contexto social onde se desenrolam as histórias narradas em telejornais que poderiam ser ancorados diretamente de uma delegacia.

Questionados sobre a qualidade destes produtos, seus idealizadores transferem a responsabilidade ao público: segundo eles, a audiência tem o direito e o poder de decidir através do controle remoto, o que deseja assistir.

Eis aqui o paradoxo ao qual me referia: se a opção pela factualidade e o determinismo pela descontextualização histórica da notícia são deliberações do próprio meio de comunicação e da atual prática jornalística, como pode ser o público responsabilizado ao ser atraído por este formato, emoldurado sob artífices mais ligados à ficção do que a realidade?

“Naturalmente, um dos princípios fundamentais do jornalismo, é que, quanto maior, mais insólito ou mais sangrento é um espetáculo, maior é o valor-notícia. E isto, não é porque os jornalistas sejam macabros ou menos sensíveis às coisas belas da vida. Isso reflete apenas o fato de que o público se interessará mais por uma história que impressione, e pelo contrário, ignorarão uma notícia de rotina” (Brucker, 1973, 175, citado por Golding – Elliot, 1979).

Entendo a partir destas considerações que a noticiabilidade das tragédias e o fazer jornalístico singularizante são características complementares e indissociáveis do mesmo problema, mesmo sabendo que a superficialidade não é característica exclusiva das más notícias.

Mas vale questionar se uma mudança editorial, que voltasse às atenções a um jornalismo construtivo, que circundasse a notícia (mesmo que negativa) não poderia mudar essa cultura.

Esbarramos então nas premissas citadas anteriormente (brevidade ao repassar a informação, factibilidade e factualidade, não por acaso as principais características da crônica policial.

Podemos concluir que esse modo de fazer notícias descoladas de seu contexto e focadas singularmente no seu aspecto mais negativo não é responsabilidade APENAS do público, mas também de quem a produz, uma vez que não contribui para alterar essa cultura e se vale da alienação resultante da simplificação dos acontecimentos.

Concluo que redações regidas pelo “Bad news is a good news” não têm estão em condições de responsabilizar exclusivamente seu público pelo sucesso do jornalismo baseado nesta prática. Se o jornalista coloca-se como protagonista das transformações sociais e puxa para si a responsabilidade de esclarecer e informar, as empresas jornalísticas sérias devem também assumir a responsabilidade por reeducar o público para um novo modo de apreciar e consumir informação. A simples atividade baseada na busca do preenchimento de espaços com o que ACONTECE, sem discutir os motivos que levaram até tal desfecho, é um atentado contra a própria liberdade da atividade tão duramente conquistada, e que certamente, não foi imaginada para estes fins.

sexta-feira, 27 de agosto de 2010

Selvagem é não amar

Dois aspectos do comportamento humano explodem na percepção de quem assiste, lê e se envolve com a história de Cris Mclandess, narrada por Jon Krakauer (livro) e Sean Penn (filme) sob o título “Into the wild” (Na Natureza Selvagem).

"A felicidade só é real se compartilhada."

A sentença, entalhada na madeira do ônibus onde o personagem principal minguou até a morte, força a inexorável reflexão sobre a necessidade dos relacionamentos.

Dividir momentos, compartilhar a alegria de conquistas, dar e receber carinho.

Amar incondicionalmente.

Não há como fazê-los sozinho.

Não há plenitude numa felicidade individual. Um coração só se completa quando encontra outro com a mesma capacidade de se emocionar e ter os mesmos sonhos.

Eis a felicidade plena.

Mclandess tem essa epifania ao se ver na plenitude existencial, distante do mundo material, imerso na imensidão do Alaska. Atingir tal ponto de desapego e desvinculação social seria motivo suficiente para encontrar a felicidade?

Ao que tudo indica não.

Nos dois anos que antecederam seu desfecho trágico, Mclandess cruzou os Estados Unidos convivendo com PESSOAS. Teve todo tipo de experiência e desenvolveu laços verdadeiros de afeto. Amigos e amores que foram marcados indelevelmente pela presença dele.

E aí reside a outra grande sacada desta jornada: as almas desconhecidas que vagam pelo mundo e que produzem uma energia inexplicável quando se cruzam.

Relacionamos-nos cotidianamente com um número incrível de pessoas. Mas quantas delas nos marcam? Quantas delas ficam marcadas por nosso convívio?

Conviver. Coexistir.

Somos seres sociáveis determinados a amar e ser amados.

Selvagem é não amar, afinal essa é nossa natureza.

PS: O filme é uma das melhores adaptações que o cinema já fez de um livro. Mas livro é livro. Por via das dúvidas, consuma ambos.

terça-feira, 24 de agosto de 2010

Até logo

A folha branca me encara.

Desvio o olhar, envergonhado.

Como dizer à ela que perdi o interesse?

Sim, eu sei. Fomo íntimos até poucos dias.

Não ficávamos uma noite se nos ver.

Mas não tenho mais a inspiração de antes.

Não é um adeus. É um até breve.

Sei que ali na frente vamos nos reencontrar.

Você sabe, assim como eu, que fomos feitos um para o outro.

Mas hoje minha paixão é outra, meu momento é outro.

Fica na lembrança os momentos de devaneios íntimos e teses estapafúrdias.

Sei que muitas vezes não me fiz entender, sou mesmo complicado de compreender.

Mas fique com uma certeza: todo sentimento e poesia que fiz em ti foram do mais puro sentimento do meu coração.

Até breve,

Alvaro

terça-feira, 10 de agosto de 2010

Agradecimento

O maior desafio está por vir: A grande reportagem.

A participação no concurso me forçou uma reflexão sobre minha própria vida. Nesta curta trajetória, muitas pequenas conquistas, cada uma valorizada e comemorada a rigor. Mas sem dúvida, essa é a maior de todas.

Em todos que vieram me cumprimentar, vi alguma ligação com o ‘Alvaro Jornalista’ que é gestado desde a infância. Essas reminiscências também se evidenciaram quando parei para refletir sobre a formação do meu gosto pela comunicação, que se funde com minha personalidade.

Um caldo de referências, de exemplos e inspirações lapidou esse gosto pela palavra. O falante vendedor de pastéis, com 12 anos;

O comunicativo guia turístico, aos 14;

O inquieto produtor de rádio, aos 17 anos;

O sonhador jovem que encarou Porto Alegre aos 21.

Em cada dia destas etapas, pessoas, situações e acontecimentos me deram suporte e contribuíram para que hoje eu esteja trilhando um bom caminho na carreira jornalística.

Sinto-me obrigado a agradecer algumas pessoas:

- Minha família: Mãe Denise, pessoa que me ensinou o que é humildade e humanidade. Pai Silvio, que me deu o dom da oratória e me proporcionou o convívio com o jornalismo desde cedo; Tios Binho e Zaida: ensinaram-me o valor do trabalho. Minha namorada Janaina, companheira fiel nos piores momentos.

- Os profissionais: Antonio Alberto Lucca e Leonardo Bratti, proprietários da Rádio Encantado AM, onde tive a oportunidade e a liberdade para fazer radiojornalismo. Toni Perondi e Valmir Feil, homens de rádio que sempre apostaram no meu potencial.

Mário Pool e Louise Lage, que na Ulbra TV me abriram os caminhos e acreditaram num guri para chefiar a produção e a reportagem no departamento de telejornalismo.

Cada ser humano que cruzou meu caminho e de alguma forma modificou positivamente meu modo de compreender o mundo tem uma parcela de contribuição neste jovem jornalista, cheio de sonhos e objetivos. Que aos poucos serão cumpridos, um de cada vez.

Portanto, compartilho com cada um essa pequena conquista.

Muito obrigado,

Alvaro.

A repercussão completa da final do PP/ZH:

http://wp.clicrbs.com.br/editor/2010/08/07/alvaro-ganha-sua-grande-reportagem/?topo=13,1,1,,,13

quinta-feira, 5 de agosto de 2010

Os més pelas pãos

Ermilha e vilho.



Seleta coletiva...


Dixlesia.

sexta-feira, 9 de julho de 2010

A natureza de um insatisfeito

Alguns seres humanos são movidos pela insatisfação.

Dificilmente contentam-se com o status quo e diuturnamente buscam a mudança.

Tão logo se estafam de uma condição de vida, passam a conjecturar possibilidades de inverter a lógica existencial: emprego, relacionamentos, objetivos.

Traçar metas, novos planos, outros vôos: para essa categoria o céu não é o limite.

O tempo de gozar o prazer de uma conquista é efêmero.

Um objetivo maior sempre está no horizonte.

Apaixonam-se perdidamente.

Vivem esse amor com a intensidade de um mar revolto.

Afogam-se no prazer de compartilhar e descobrir-se mutuamente.

Mas a fugacidade é imperativa.

A necessidade de um novo recomeço atordoa essa alma inconstante.

A rotina sufoca, maltrata.

A previsibilidade é um veneno que aos poucos mata o ímpeto e espontaneidade.

O improviso e o desafio seduzem.

O risco do inédito é o que nos move.

terça-feira, 6 de julho de 2010

Folha de Papel

Misericordiosa folha de papel.

Tudo aceita, obsequiosamente silenciosa, passivamente leal.

Companheira das horas eufóricas, melancólicas e alcoólicas.

Folha amiga: permita que eu derrame toda a incompreensão dos meus questionamentos.

Ávida, pura: uma folha em branco é uma bolha prestes a aprisionar um sentimento.

Borrada pelas letras, fonemas e sílabas, me ajuda a dar sentido aos contornos da alma

em forma de palavras.

Fiel folha de papel: uma amiga eterna dos seres que gritam silenciosos pelo mundo.

sexta-feira, 2 de julho de 2010

Crônica - A noite e seus truques

A porta está entreaberta. Aproximo-me e ouço sussurros e gemidos. Um pouco mais próximo, vejo o vulto de um casal sobre a cama. Ela está montada por cima, levemente inclinada. O suficiente para que seus fartos seios encubram o rosto do homem que transa com ela. Ao fundo, outro homem. Ele está vestido, de pernas cruzadas e fumando um cigarro. Ao lado dele, uma mesa com três copos de cerveja. O observador é na verdade o marido da mulher que participa do ato.


Estou em uma casa de swing.


O ambiente é simples. No primeiro andar, uma ampla sala com diversas mesas dispostas próximas as paredes. No meio do salão, barras para dançarinas executarem suas habilidades no pole dance. Ao fundo, um chuveiro de espuma. Uma mulher solitária vestida com uma camiseta branca encharcada e colada ao corpo dança sob olhares dispersos de uma dúzia de freqüentadores. É possível ver apenas a silhueta de suas curvas e o desenho dos mamilos arrepiados pelo frio.


No segundo andar, um corredor estreito é formado por finas paredes de maderite, que servem de divisórias para mais de uma dúzia de pequenos quartos. Em cada um, camas caprichosamente forradas com lençóis brancos. Um cartaz alerta os voyeurs: ‘proibido fotos e filmagens neste ambiente’.


A folclórica luz vermelha não existe. Aqui a luz negra é que quebra a penumbra dos ambientes. E nada de música sertaneja em volumes insuportáveis. A sonorização é tecno, mas é possível conversar tranquilamente. “Quem vem pra cá ta a fim de curtir algo diferente, sair da rotina”, me explica P.R., 29 anos, meu guia nesta noite de quarta-feira pelas ruas da zona norte de Porto Alegre.


Durante a semana ele é motorista. As sextas e sábados atua como go-go boy em despedidas de solteira. Em outros momentos, veste a profissão de michê. “Mas isso não é vida. Faço porque adoro sexo e estou com saúde para dar e vender”, explica.


A entrada na boate custa 80 reais e dá direito ao freqüentador fazer tudo que quiser, desde que de comum acordo com os outros freqüentadores. “É tudo liberado, vai da química entre o pessoal”. Nas noites de grande movimento, o local se parece com a Roma Antiga. Homens e mulheres seminus transitam entre os pequenos quartos e trocam de casais e parceiros, sem qualquer preconceito. “Quem vem pra cá, sabe o que quer, sabe o que vai encontrar, então, a idéia é curtir”.


A filha do proprietário é quem administra o ambiente. Questiono se ela não se sente constrangida “É um trabalho honesto como outro qualquer. Tratamos todos com respeito e também sou tratada assim”. P.R. complementa “esse é um ambiente tão comum como qualquer outro. A gente senta, conversa, e se rola um interesse, o casal convida para participar de uma orgia”, conta com a mesma calma de quem explica uma receita de bolo.


Não há um perfil específico dos freqüentadores: casados, solteiros, pessoas de diversas classes sociais com idades entre 25 e 45 anos. Todos atrás de diversão “A noite é um truque”, diz P.R. “Meu único vício é o sexo. Não bebo e não uso drogas. Mas quando saio pra noite, não durmo sozinho, muito pelo contrário”.


Na saída, mais uma cena inusitada. Percebo que algumas pessoas no salão olham para cima. Me viro e enxergo um mezanino totalmente envidraçado, que abriga uma cama de casal. Lá, um trio exibicionista transa sem se importar com os observadores que estão logo abaixo. Nem imagino quem é o convidado e quem é o casal. Mas todos parecem muito felizes. E compenetrados na atividade.

Cores



segunda-feira, 28 de junho de 2010

As musas

De que matéria são feitas as musas? Mulheres que inspiram e enlouquecem os homens desavisados de seus perfis sinuosos e tentadores. Fontes indispensáveis àqueles que necessitam expressar a subjetividade dos sentimentos humanos.

Como arriscar desvendar o mistério que se esconde no âmago de uma musa? Impossível. Elas são indecifráveis e devoram-nos sem ao menos conceder uma chance. São um composto alquímico de ternura, fascínio e sedução.

Inexplicavelmente se instalam no coração e na alma de um homem como se uma doença incurável fossem. E talvez sejam.

Musas...criaturas que Deus espalha pelo universo, como constantes
fontes da juventude, permanentemente a postos daqueles que ousam desfrutá-las. Com uma mão servem toda graça de seu charme; com outra, se apoderam do coração inocente que se arrisca nas curvas enigmáticas de seus sorrisos. O olhar de uma musa fica indelevelmente registrado na memória do incauto que o fitar. Atormentá-lo-á diuturnamente, provocando-lhe delírios em plena luz do dia ou na mais profunda noite de sono.

O homem embebido pelo deleite de uma musa vive numa sintonia diferente dos demais; a musa lhe revigora e o faz sentir o mundo em outra vibração. O descompasso do coração estremece o corpo, que reverbera até a ponta das mãos. Os dedos transformam essa energia misteriosa em devaneios; pintam, escrevem, enlouquecem.

A atenção que uma musa dispensa a um homem equivale ao canto de uma sereia, a uma dose de morfina. Musas têm Ph volátil. Ora são ácidas e nos corroem sem piedade; Noutra, neutralizam todas nossas angústias e equilibram essa complexa rotina; Mas uma musa jamais tem Ph neutro. Não é de sua natureza a impassividade. Involuntariamente são ativas. Pobre do corpo que absorve esse coquetel de encantamento; os poros são entupidos dessa onda invisível de delírio e o metaboliza, bombando para todo organismo a tragédia em forma de graça e poesia.

Uma musa jamais age movida pela crueldade. A malícia de seus trejeitos, a cor cintilante de sua voz ou a inesquecível textura de sua pele são inerentes a sua própria vontade. Se manifestam à revelia de sua intenção e explodem para o universo, livres como cabelos soltos ao vento num entardecer de outono.

Mas feliz do homem que consegue cativar sua musa. Quando ela se vê refletida de forma tão eficiente na expressão desse homem, encanta-se pela forma ainda mais bela de sua própria beleza, ficando igualmente enfeitiçada e ainda mais bela. A constante reflexão dessas energias cria um dínamo eterno de paixão, encantamento e psicose.

Uma loucura deliciosamente fora de controle.

“Comigo a anatomia se vê louca. Sou todo coração”.
Maiakovski

segunda-feira, 14 de junho de 2010

Tô dentro!


Comecei bem a semana. Fiquei sabendo por amigos que meu nome estava na ZH dominical...Sou um dos 10 finalistas do concurso 'Primeira Pauta'. Próxima 'peneira' será através de uma reportagem acompanhando um grupo de torcedores brasileiros durante um dos jogos da seleção na primeira fase da Copa. Ficar entre os 10 já valeu a inscrição, mas bora lá...
Abaixo, o texto que enviei para concorrer e depois a matéria da ZH de 13/06/2010:


O que você espera de um jornal?

Num tempo em que somos bombardeados por informações de todos os lados e por todos os meios, espero que um jornal tenha a capacidade de me surpreender e me levar à reflexão. Por surpresa não me refiro à possibilidade de dar 'furos' todos os dias, mas sim, trazer um novo ângulo sobre uma notícia; aprofundar um fato; explorar o ponto de vista inusitado sobre o acontecimento. O caso do mendigo prateado foi exemplar: o jornalista José Luis Costa obteve a façanha de trazer todas as informações e ao mesmo tempo aprofundar a notícia como nenhum outro veículo fez. A reportagem me informou, mas também me provocou revolta e indignação sobre o fato. É isso que espero de um jornal; que as informações não sejam simplesmente repassadas, mas carreguem o sentimento de quem a presenciou e, assim, aproximem leitor do fato, inspirando indignação ou regozijo. A notícia e o tratamento que um jornal lhe dá precisam ir além do 'fazer saber'. Deve necessariamente instigar a reflexão sobre o mundo em que vivemos.

Esse jornal não pode deixar dúvidas sobre seu posicionamento na sociedade, encampando lutas e campanhas, criticando os excessos dos homens públicos, sempre proporcionando isonomia na abordagem de temas polêmicos.

Espero que um jornal me informe, mas também me forme: desejo ser um cidadão com caráter, uma pessoa com opinião e posicionamento definido, capaz de debater e defender pontos de vista. Assim, espero que esse jornal me dê subsídios para sustentar meus argumentos e ser uma pessoa convicta de meus conceitos.

ZH - 13/06/2010

Primeira Pauta divulga nomes dos 10 finalistas

Projeto promovido por ZH vai escolher estudante de Jornalismo para acompanhar reportagemDez futuros jornalistas do Estado estão mais próximos de realizar o sonho de todo aspirante a repórter: participar de uma grande reportagem. Em sua segunda edição, o concurso cultural Primeira Pauta selecionará um estudante de Jornalismo que participará de todas as etapas de uma reportagem: da discussão do tema à publicação. Os finalistas já foram escolhidos.

Nesta etapa do concurso, os 10 selecionados deverão escrever um texto com o seguinte tema: “Acompanhe um dos três jogos da Seleção Brasileira na primeira fase da Copa do Mundo junto a uma torcida – pode ser com a família, amigos, num bar, num local público – e descreva essa experiência. Imagine que esse texto seria publicado junto à cobertura de Zero Hora no dia seguinte ao jogo”. Para complementar, o estudante também pode enviar fotos e vídeos. O resultado será divulgado na edição de Zero Hora do dia 8 de agosto e no site www.zerohora.com

Assim como ocorreu com a estudante Mariana Müller, 21 anos, vencedora do ano passado, o selecionado terá a oportunidade de conhecer todas as etapas de elaboração de uma reportagem: da definição da pauta, quando as ideias são confrontadas, ao trabalho de campo, que é a parte que envolve a aventura e a emoção de conhecer lugares e pessoas, à escolha das fotografias, a redação e edição dos textos para o jornal impresso e online.

Além da observação da equipe em campo, o universitário relatará suas experiências em forma de diário, publicado com a reportagem de ZH.

Os selecionados
Confira o nome dos 10 selecionados na primeira etapa:
- 1 - Álvaro Andrade
(Porto Alegre)

- 2 - Andressa Fordie Pazzini
(São Leopoldo)
- 3 - Caroline Polonio Torterola
(Porto Alegre)
- 4 - Emilia de Moura
(Passo Fundo)
- 5 - Gabriela Simoni da Silva
(Sapiranga)
- 6 - Gislaine A.M. Monteiro
(Novo Hamburgo)
- 7 - Marilei Pessatti
(Soledade)
- 8 - Mateus Andrighetto Tamiozzo
(Ijuí)
- 9 - Pricilla Farina Soares
(São Lourenço do Sul)
- 10 - Thiago Tieze
(Porto Alegre)

A PARTIR DE AGORA NOVA ETAPA

- Os 10 selecionados terão de escrever um novo texto, com o seguinte tema: “Acompanhe um dos três jogos da Seleção Brasileira na primeira fase da Copa do Mundo junto a uma torcida – pode ser com a família, amigos, num bar, num local público – e descreva essa experiência. Imagine que esse texto seria publicado junto à cobertura de Zero Hora no dia seguinte ao jogo”. Além do texto, de 1,8 mil caracteres, você pode enviar fotos e vídeos para complementá-lo.

COMO ENVIAR
- Seu texto deverá ser enviado até as 23h59min do dia 30 de junho, por e-mail, para geral@zerohora.com.br, com o título “Primeira Pauta 2010”. Os textos deverão ter no máximo 1,8 mil caracteres.
JULGAMENTO
- Os critérios para a escolha serão criatividade, originalidade, adequação ao tema proposto, objetividade, qualidade jornalística do texto e desenvolvimento lógico.
ÚLTIMA FASE
- Entre os 10 textos, cinco serão escolhidos para a última etapa do concurso cultural. Os nomes dos classificados serão divulgados na edição de Zero Hora do dia 18 de julho. Os estudantes selecionados ainda participarão de uma prova de texto e de uma entrevista com repórteres e editores na Redação do jornal.
RESULTADO
- O resultado final será conhecido em 8 de agosto

quarta-feira, 9 de junho de 2010

A graça e a tragédia do existir

Quando meu coração dispara, minha pulsação vibra na veia mais espessa
do meu pescoço e não sei mais o que fazer, me pergunto:

- que realidade é essa.?
(suspiro fundo)

Nesse momento experimento uma mistura de euforia com intensa
confusão mental.

Uma ezquisofrenia existencial.

Estar aqui, sentir dessa forma. Pessoas, relacionamentos, sonhos, lutas e ilusões.
A vida é subjetividade pura.

Nada é permanente, perene, eterno, duro,
completamente verdadeiro e verdadeiramente puro.

Cada um carrega um universo próprio,
criado a partir de si, da sua visão e convicção.

Para uns verde-água é azul claro; outros juram que é contrário.
Sem falar nos teimosos e nos daltônicos...

Cada pessoa desenvolve um imaginário próprio sobre a realidade que o cerca.
Bem verdade, que muitas coisas são absorvidas do imaginário coletivo,
mas cada detalhe que compõe cada molécula da matéria

é observado,
julgado,
entendido
e construído

sob
um olhar i n d i v i d u a l das infinitas pessoas que vivem nesse planeta.

Então temos milhares de universos individuais que precisam conviver em harmonia.

E essa é a paranóia.

Meu mundo, desejado e acalentado em cada ato da minha vida, jamais será.

Ele não pode existir porque ao se chocar com outros corpos precisará

modificar-se.

Volto à subjetividade do ser humano.

O livre arbítrio e a capacidade de sentir são ao mesmo tempo
os maiores flagelos e melhores prazeres da existência.

O próximo segundo sempre será inédito e acontecerá
de acordo com o que você quiser e de o que você sentir.

Taí graça e a tragédia desse delírio que é viver.

quarta-feira, 2 de junho de 2010

Aonde vai chegar assim?

Que tenho alma de velho, todo mundo já percebeu. Gosto de vinho, vinil e morro de saudades da minha infância, mesmo que ela tenha acabado há pouco anos. Sou saudosista desde que saí do útero da dona Denise.

Mas percebo que meu corpo também envelhece. E tudo isso em pouco tempo: a rotina sedentária adotada em função do trabalho cobra seu preço.

Comunicação.

Quem lida com ela sabe que o meio é altamente estressante. Ansioso que sou por natureza, noto no organismo a deterioração daquilo que deveria ser mais precioso na existência: a preservação da saúde e do bem estar humano. Corpo e espírito foram deixados de lado. Só cumpro as necessidades fisiológicas básicas a sobrevivência.

Estresse, pouco sono, má alimentação e a inevitável boemia: quilos na balança, dores no corpo e acúmulo silencioso de problemas futuros. Num mundo cada vez mais instantâneo, desconectar-se da sociedade da informação é impossível, ainda mais para quem justamente trabalha com informação. Não há mais jornada de trabalho, estamos 24 horas ligados no que acontece. Tudo para não corrermos o risco de ficar para trás.

E quem não se compromete, não tem futuro. É preciso estar disponível full time.

Mas onde isso vai nos levar? Que sonhos serão conquistados a partir de tantos sacrifícios? Vale a pena toda essa dedicação em nome da realização profissional e pessoal?

Tenho me feito estes questionamentos. Vejo colegas que assim como eu, tão jovens que somos, já imersos numa rotina massacrante. Em nome da dita realização profissional até os ideais e valores são deixados de lado. Mas a preço de quê mesmo?

Não seria muito mais proveitoso para um ideal de existência evolutiva dedicar minha vida a algo mais nobre do que trabalhar 24 horas por dia? O mundo é tão grande, há tanto a desbravar, conhecer, experimentar...e por medo de não ser ninguém e aí mesmo que não acontecemos.

Ficamos presos a esta rotina que nos mata aos poucos, quando poderíamos estar pelos quatro cantos do planeta, vivendo, no real sentido da palavra.

segunda-feira, 24 de maio de 2010

Perdido na noite

Uma ligação perdida, uma chamada não atendida.

Noite solitária, garrafa vazia.

Ébrio, saudade, utopia.

Um dia quem sabe, de tudo isso a gente ria.